14 de mai. de 2016

As contradições da fé cristã em uma época capitalista

Na Idade Média, período que compreende os séculos V à XV, a Europa era teocêntrica. O sujeito não tinha horizontes e se limitava a permanecer a vida inteira em seu local de nascimento. Alguns dos princípios do teocentrismo são: a humildade, o respeito, a moderação, a abnegação. Todas as suas ideias giravam em torno de Deus, o Deus da Revelação judaico-cristã e não o "Deus dos Filósofos". A moral é um conjunto de normas que regulam o comportamento dos seres humanos. A religião cristã segue doutrinas morais, no entanto a essência da moralidade é o egocentrismo. Para Jean Piaget, a lógica é um produto social, ou seja, sem a mútua correção e a pressão social, os indivíduos permaneceriam em seu egocentrismo natural, sua expressão mais primitiva, incapazes de superar seu próprio ponto de vista. O pensamento só se torna lógico pela vigilância que o grupo exerce sobre ele. A religião, sobretudo a cristã, serve como castradora da condição natural humana. Após o Renascimento, em contraposição ao teocentrismo da idade média, surgiu o antropocentrismo, colocando o ser humano como o centro do universo. Num sistema capitalista a principal força motriz do humano moderno é sua ambição. Esta ambição é alimentada pelo governo, que vê no indivíduo a energia que movimenta um sistema baseado na produção de capital. O capitalismo geralmente surge como uma autovalorização baseada na posse de bens materiais. Ou seja, nosso sistema é resultado de diversos acontecimentos históricos, passando por Renascimento, e pelo materialismo histórico, muitas teorias relativas ao humanismo foram produzidas nesta época. Para Karl Marx o capitalismo é de natureza"má", mas salienta que os seres humanos são essencialmente trabalhadores. Além disso, acrescenta que a religião é um mecanismo de controle, que consiste numa inversão da realidade a partir do reflexo da imagem construída pela classe social dominante. 
      De modo geral, o satanismo condiz mais com nossa realidade do que o cristianismo. "Shaitan" é a personificação do humanismo, a raiz do satanismo. No entanto, não significa que seja o ideal, já que o satanismo filosófico prega a realização pessoal, e a satisfação da vontade, assim como o capitalismo. E para a evolução da sociedade, é necessário que o indivíduo se liberte de sua condição infantil e primitiva de realização egocêntrica, para se tornar um ser social, a democratização da convivência é verdadeiramente moral. Quem deseja a liberdade humana, o livre arbítrio, não segue de forma cega os princípios e valores impostos pela religião.  A moral é o contrato social, a tomada de consciência lógica, o compromisso público. A imposição moral impede a capacidade do ser humano de desenvolver o respeito mútuo. Já que consiste em uma ação proveniente da sujeição à disciplina e não da formação da consciência, que é gradual e se desenvolve desde a infância.

24 de ago. de 2015

    Lá se vai, a alta noite e no recôndito de meu pensamento, um furor se anuncia roubando-me o sono. Queria eu poder exprimir tudo aquilo que me aflige, e talvez, assim, poderia ter um instante de silêncio em tudo aquilo que insiste em doer. A respiração me parece tão pesada, pois, por dentro, se aninha um ninho de minúsculas cobrinhas, bem como para consumir minha vitalidade. Queria eu, ser merecedor de uma felicidade plena, algo sumamente belo e simples, como a brisa do vento, ou uma visão da natureza. Receio que, desde muito, já não há espaço para tal contemplação, porque em meu interior essa tortuosa inquietação me desassossega.
     Parece que, neste mundo, onde as coisas acontecem à pleno vapor, e todos já estão cientes do que acontece do outro lado do mundo, em questão de um só impulso, não é mais digno ou possível perder-se em devaneios, dores obscuras ou encantar-se com a natureza. O artista moderno, deve aspirar a imundície do mundo e regurgitá-la, de maneira a escandalizar o outro com a sua própria decadência.

3 de ago. de 2015


                                                        I

                                          Na enseada distante
                                       A odiosa serpe espreita
                                       Um distraído visitante
                                        Sem levantar suspeita

                                       À flor da água ela imergiu
                                       Tal qual imenso Leviatã
                                       Monstro colossal e vil
                                          A estrela da manhã
                                     


                                     
                                   

27 de out. de 2014

Club Silencio

                                                                                                      No Hay Banda!


       No hay banda! There is no band! Il n'est pas de orquestra! This is all... a tape-recording. No hay banda! And yet we hear a band. If we want to hear a clarinette... listen.
Un trombon "à coulisse". Un trombon "con sordina". Sient le son du trombon in sourdine. Hear le son... and mute it... drop it. It's all recorded. No hay banda! It's all a tape. Il n'est pas de orquestra. It is... an illusion!

16 de jun. de 2014


"As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido."