15 de mai. de 2013

Todas as suas verdades são incontestáveis?

    Muitos mitos surgiram para explicar ideias misteriosas, dúvidas que fugiam da compreensão de uma espécie que sempre procura uma explicação para todas as bobagens que existem. Para Freud e Jung os mitos tinham caráter inconsciente que revelam desejos profundos do ser humano. Deuses, heróis e vilões são figuras mitológicas do inconsciente humano, assim como estrelas de cinema e da música ou qualquer material que possa ser usado pela mídia como moeda, para suprir os anseios de cada um de superar a própria inexpressividade. No caso, todo o manipulador de informação é em parte maniqueísta, dividindo bem e mal como fronteiras antagonicas que nunca se conectam.

10 de mai. de 2013

Donos da terra

   





      Passos, desconcertos do ébrio, acelera a fádiga e desidrata a sede. Não impede o tolo, dá a chave ao inapto, sustenta a inverdade. Aos cegos e constantemente presos por seus méritos, inabaláveis em seus egos, que constroem diante da sua palavra um grande castelo e nele um trono. Em seus falos e corpos saudáveis sua moral herméticamente selada e canonizada. Bem sucedidos, mentalmente constantes, prezando a sua própria conduta. Julgam e oprimem pois à eles foram dadas todas as graças divinas.
   Aqueles que em nenhuma parte de suas existências cometeram erro algum, e os olhares que se extendem logo acima para os menores não encontrar. Que exprimem palavras teatrais e sorrisos simétricos ao deslumbre dos espectadores, bonecos de pano às traças. Pequenos demônios intolerantes que acendem suas tochas e preparam suas fogueiras. Uma pré concebida ideia, definições alheias e porcamente analisadas. Que decidem por suas próprias mãos e línguas ceifar a cabeça de um cara qualquer. Dizer a ele que ele não importa e não basta. Que seu fim seria contentamento e haveria celebração. Que sua dor é uma fraqueza, um erro de conduta, que sua dor o faz um idiota. Faça um bem e ninguém notará, faça algo ruim e incendiará a platéia. A regra geral é a de não fugir aos parâmetros, estar dentro e embalado para o comércio, ser parte da imundície.


   

1 de mai. de 2013

I.


O ar intragável,
Bebê-lo impossível, cheirá-lo não posso
O que observas tão cálido?
Um passageiro amigável, moeda de troca
A cada beco, um rato, um bueiro
O que te rouba furtivamente um segredo
Também dá teu corpo ao açougueiro
Que espanca e trai o templo
Do menino que outrora
Tinha Luther King como exemplo
E agora,
Só vilões trazem vingança
Trás este sorriso de criança
E passeia ele pela rua
Acorda essa morta vizinhança

Toda noite uma conta a pagar
De ossos quebrados dentro e fora do bar
O cancêr queima e destrói
Aquele que já foi seu herói
Só espera outro dia acabar

II.

Ultimamente,
Falei com uns amigos
Alguns com belos nomes 
Estrangeiros
Barkov
Svidrigáilov
Gregor Samsa
Eles eram Sexus
Nexus
Plexus

E um tal de Donatien
Alphonse
François
Borbulha
Algumas velhas senhoras
Uma mocinha cheia de vitalidade
E se me permite tal maldade
Pouco me importa nas duas
Qual seja a idade
A mocinha pode ser um garoto
Mesmo porque
Não sei diferir equino de equidade

Na alcova outrora cheia de espinhos
E ninhos de pragas e redemoinhos
Ainda reside renascida em Lilith
e morta em vênus
Alguma farpa, 
Ou escuro de um quarto
Em mordidas 
E galinhas
Novas feridas
Arranhado
Na bicicleta
Não chora
Seu dialéto
É o que carrega
No silêncio

III.

Gargalhada
Na morte, na perda, na dor
Apenas porque não se adequa a tal estado
A sua alegria enfastia
Tal mentira eu não me importo
Pode ser proferida a todo canto
Mas na cara de alguém
Que a abriga 
É piada