27 de out. de 2014

Club Silencio

                                                                                                      No Hay Banda!


       No hay banda! There is no band! Il n'est pas de orquestra! This is all... a tape-recording. No hay banda! And yet we hear a band. If we want to hear a clarinette... listen.
Un trombon "à coulisse". Un trombon "con sordina". Sient le son du trombon in sourdine. Hear le son... and mute it... drop it. It's all recorded. No hay banda! It's all a tape. Il n'est pas de orquestra. It is... an illusion!

16 de jun. de 2014


"As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido."



1 de jun. de 2014

 "Em meio de meus freqüentes e profundos esforços para recordar, em meio de minha luta tenaz para apreender algum vestígio desse estado de vácuo aparente em que minha alma mergulhara, houve breves, brevíssimos instantes em que julguei triunfar, momentos fugidios em que cheguei a reunir lembranças, que em ocasiões posteriores, meu raciocínio, lúcido, me afirmou não poderem referir-se senão a esse estado em que a consciência parece aniquilada. 

23 de abr. de 2014

Boulevard Unknown

   Passa por mim
   Tanta gente desconhecida
   Tanto rosto diferente, cheiro bom, cheiro ruim
   Tanta cor, tanta raça, aqui nessa avenida
   Esconde o cigarro na meia, o velho
   Exala fumaça em mim, a moça
   Eu coexisto na via obstruída
 
                                                                      ~

E esse inverno, que chega tão intranquilo... É como eu: nada se nota na superfície. E deságua como temporal por dentro. Gosto da solidão, de estar acompanhado. E da companhia de estar só. Meu cômodo bagunçado, as vozes de fora e as de dentro... sem conexão. Nada é tão absurdo quanto importante - a importância jaz em coisinhas triviais.



                                                                     ~



28 de mar. de 2014

Contos da Noite




Olho do alto e então percebo que diante da cidade que dorme
Já tornei-me a árvore solitária da igreja
E o gato soturno que passa por baixo
Não tornei-me nuvem porque todas são uma só
Mas porque então eu também sou tão só
Quanto a cidade que dorme?


14 de mar. de 2014

O sexo frágil

                                                                

     As mulheres são frequentemente diminuídas no âmbito social mesmo depois de séculos de luta. Há diferença salarial, ainda que tais lutadoras tenham maior participação no mercado de trabalho do que os homens. Se a mulher for negra, segundo estudo, recebe menos por seu trabalho e tem mais dificuldade em conseguir emprego. Além disso, o corpo feminino ainda é moeda de troca e venda não somente pela prostituição, mas como na mídia. É frequente colocar uma mulher seminua para anunciar um produto, este artificio é usado como estratégia de marketing para prender a atenção do consumidor. 


7 de mar. de 2014

A única diferença entre mim e um louco, é que não sou louco

     Sentei-me no segundo andar envidraçado para experimentar uma torta de nozes terrivelmente doce e enjoativa que tive que quebrar com um café amargo. Nesses meus momentos que espero, não sejam os últimos de ócio, mas que sejam substituídos pelo ofício nos dias a seguir. Como de costume observara as ratazanas a andar embaixo de mim, meus semelhantes, chamo-os de ratazanas só para não perder a mania de inferiorizá-los para me sentir menos insignificante.
    Eles andavam para lá e para cá, e não perdi tempo em imaginar o que iam fazer... Ao menos tentei. Só os olhei, e percebi que suas roupas cheias de cores me deixavam confusa. Olhei para o verde das árvores e me senti mais tranquila. Percebi que um passarinho movia sua cabeça freneticamente de um lado para outro, e por vezes chegava a me olhar. Em sua naturalidade, não se preocupava em ser apenas ele, enquanto os viventes abaixo tinham suas identidades preservadas por materiais alheios.

5 de mar. de 2014

Descarga Mental

     Moacyr Scliar me contou que escreve desde criança e desde então sofre desta curiosa perturbação existencial que consiste, segundo Kafka, em trocar a vida por palavras. Ouvi dizer também que os escritores em geral tem um forte sentimento de inequação. Para mim, escrever é uma oportunidade de se expressar e de trocar incessantemente ideias. Na maioria das vezes penso que não estou dizendo tudo o que quero dizer somente no ato de falar... Eu não acho que a melhor forma de comunicação seja a da fala. É sobretudo a mais útil e a mais prática.

13 de fev. de 2014

 

    Não sei, não sei se crio, eu sou a criatura feita pra criar? Eu sou uma cópia, todos são uma réplica. Todos são migalhas, todos são vestígios, miragens. Passei tanto tempo da minha vida a observar outras pessoas, outras ideias... Talvez, não somente tenha adquirido delas a inspiração, mas a vontade de ter algo a dizer. E se eu não tiver nada a dizer? E se eu for apenas movida por essa sede de significar algo, num mundo que não significa nada?