disgusting as you
29 de abr. de 2013
Na estrada
Há gosto de morte
Eu sou um fantoche de seus erros
Penso que há uma solução
E recupero com muita dedicação minha rotina
Essencialmente detalhada, quase perfeita
Me movimento como um artrópode
De um hemisfério à outro
E retorno ao ponto de partida
Nas falhas de outra pessoa
A adaptação é uma das melhores características
Uma dádiva incrível se bem direcionada
Como um belo vestido de festa
Que deve ser usado dia após dia
E nunca estar amassado
A estrada é escura, nenhuma luz ou casa
A viagem é longa
O espírito que paira nela é silencioso
Eu sou um fantoche de seus erros
Penso que há uma solução
E recupero com muita dedicação minha rotina
Essencialmente detalhada, quase perfeita
Me movimento como um artrópode
De um hemisfério à outro
E retorno ao ponto de partida
Nas falhas de outra pessoa
A adaptação é uma das melhores características
Uma dádiva incrível se bem direcionada
Como um belo vestido de festa
Que deve ser usado dia após dia
E nunca estar amassado
A estrada é escura, nenhuma luz ou casa
A viagem é longa
O espírito que paira nela é silencioso
28 de abr. de 2013
Bóris
Naquela rua sempre escurecia mais cedo, uma luz azulada e tal luz podia drenar todas as outras energias. Às vezes um lugar pode matá-lo aos poucos, com suas estradas empoeiradas cheias de ossos. Milhas em círculos, a fé é algo dissolúvel. Três xícaras podem me manter acordada com esforço, temo que esse esforço se desligue como um interruptor. Isto não é uma criação, a existência é involuntária. Fé não é apenas uma doutrina, é certa crença de que algo pode seguir um caminho correto. Nada pode ser feito. Os olhos ao serem vistos não reconhecem os que vêem.
Engana ao pensar que nada se repete, sucumbe em eterna repetição. O tempo é a repetição de seus ponteiros, de seus números, de fatos. A única coisa que muda é a sequência de situações, elas se adequam a cada passo que o indivíduo dá. Curvas erradas geralmente o levam a destinos insólitos. Chega rapidamente sem permissão, e resta, apenas resta um vago momento muito perdido nas entrelinhas de uma cadeia de reações, e este momento, ele nunca retorna.
22 de abr. de 2013
21 de abr. de 2013
20 de abr. de 2013
Crime, Castigo e Indulto
Estou descendo uma rua de São Petersburgo, o frio faz com que minha respiração quente vaporize. Minha pele está tão gelada quanto a de um recém falecido, ambas as mãos estão livres. Carrego dentro de minha mochila um exemplar de Crime e Castigo. Meu nome é Raskólnikov e desde que ouvi falar que fizeram um livro sobre mim não pude descansar até o conseguir. Muitas pessoas estão tentando ganhar a vida nesta cidade, algumas apelam para atitudes moralmente reprováveis, eu sou uma delas. Porém após conhecer Sonietchka notei que não somos responsáveis pelas tragédias que permeiam nossas vidas. Acredito que quem escreveu a obra que venho trazendo comigo observou-me por muito tempo e acabou por perder-se após eu ter ido para Sibéria, trazendo fatos que não condiziam com minha atual realidade.
A cadeia foi o lugar mais sujo que já estive, e já estive em lugares extremamente degradantes. Ao menos quando estava fraco e enraivecido fugia para uma taberna onde um copo de aguardente dava-me as graças do conforto. Lá na Sibéria só pude pensar em uma única coisa, em Sonia. A princípio tudo o que conseguia imaginar era em sair daquele buraco putrefo e construir uma casa, ter filhos. Ter a liberdade de ser um homem perdoado pela lei e amado pela mulher que havia me salvado. Ela foi visitar-me durante um longo e penoso ano, onde me ditava evangelho e essas baboseiras. Já havia me acostumado às grades e muralhas que se erguiam a minha volta, para encontrar o sorriso da redenção que esperava para me ver.
Belo ano foi, eu cheguei a crer que poderia passar o resto da minha pena daquele jeito. Não me oporia se ela estivesse lá, sempre para que o amor tivesse um lugar para crescer. Quando o amor não encontra um solo propício ele morre aos poucos e dá lugar a algo que não precisa de lugar algum para existir, o mal em essência pura. A solidão que encontrei nas manhãs, tardes e noites no pior lugar que um homem pode estar, Sonia não poderia imaginar. Recebi uma notícia por minha irmã, de que Sonia havia voltado a usar boletim amarelo. Isso partiu-me, por dias sem fim vaguei vazio pelos cantos da cadeia. Nada ou ninguém por mim rezava, todos odiavam um homem que corrompeu os desígnios de Deus.
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