I.
Bebê-lo impossível, cheirá-lo não posso
O que observas tão cálido?
Um passageiro amigável, moeda de troca
A cada beco, um rato, um bueiro
O que te rouba furtivamente um segredo
Também dá teu corpo ao açougueiro
Que espanca e trai o templo
Do menino que outrora
Tinha Luther King como exemplo
E agora,
Só vilões trazem vingança
Trás este sorriso de criança
E passeia ele pela rua
Acorda essa morta vizinhança
Toda noite uma conta a pagar
De ossos quebrados dentro e fora do bar
O cancêr queima e destrói
Aquele que já foi seu herói
Só espera outro dia acabar
II.
Ultimamente,
Falei com uns amigos
Alguns com belos nomes
Estrangeiros
Barkov
Svidrigáilov
Gregor Samsa
Eles eram Sexus
Nexus
Plexus
E um tal de Donatien
Alphonse
François
Borbulha
Algumas velhas senhoras
Uma mocinha cheia de vitalidade
E se me permite tal maldade
Pouco me importa nas duas
Qual seja a idade
A mocinha pode ser um garoto
Mesmo porque
Não sei diferir equino de equidade
Na alcova outrora cheia de espinhos
E ninhos de pragas e redemoinhos
Ainda reside renascida em Lilith
e morta em vênus
Alguma farpa,
Ou escuro de um quarto
Em mordidas
E galinhas
Novas feridas
Arranhado
Na bicicleta
Não chora
Seu dialéto
É o que carrega
No silêncio
III.
Gargalhada
Na morte, na perda, na dor
Apenas porque não se adequa a tal estado
A sua alegria enfastia
Tal mentira eu não me importo
Pode ser proferida a todo canto
Mas na cara de alguém
Que a abriga
É piada