25 de mar. de 2013
Rouge Parapluie Carnage
Ela enfeita meus olhos, dança de um lado para outro. Eu quase posso sentir seu cheiro invadir. Distante seus passos se afastam, molhados na lama. Este seria um longo passeio e ao olhar para cima encontraria o cinza de nuvens consternadas, logo embaixo o silêncio de quem fugiu. Entretanto, a surpresa seria uma menina coberta por um guarda-chuva vermelho. O assombro que causou a visão de cor tão enérgica em quem de fastio estava consumido, avivou de repente uma espécie de chama. Fui drenado por uma força convulsiva de modo a me atropelar de desespero. Um anseio adentrou o cerne da minha carne e meu fluxo sanguíneo acelerou. O contraste vívido entre amarelo e vermelho numa paisagem acrômica. O amarelo provinha de sua capa, delicadamente cobrindo o pequeno corpo que residia em seu interior. Quase pude esquecer o que esperava por mim. Há faíscas de redenção que eclodem repentinas e lhe presenteiam falsas possibilidades. E brotava no canto da minha boca uma fenda para minha arcada dentária, ela desatinava meus sentidos mais profundos. Eu estava fora de mim na realidade paradisíaca daquele ser. E naquele ímpeto a chuva desce a rua e nela desce ela, eu não a vejo mais. Nenhum outro temporal consumirá o tempo.