(trechos sem ordem)
Costumes são como manias, há coisas em que repetidas surtem efeitos interessantes, mas a repetição é monótona e nos impede de abrir novos horizontes.
Somos as nossas escolhas, e não a de outras pessoas. Então fazer
isto sem consentimento delas mesmas é como abdicar do livre arbítrio.
A questão não é
conformismo ou preguiça, é para nos mantermos afastados da influência desnecessária, descansar das buzinas frenéticas do trânsito lotado e cansativo.
Dos vendedores, dos religiosos na porta.
Não há ninguém que se
importe com quem anda no submundo das ruas, não há ninguém que sequer pague a eles o álcool que consomem, eles
mesmos tem de esmolarem incansavelmente até conseguirem o pequeno saldo que
custa sua bebida. Todos irão ignorar a
face pobre e destruída da civilização, isto surge como um borrão preto
de sujeira, da qual precisa ser varrida para os hemisférios menos acessíveis do
nosso campo de visão.
Nos precipitamos ao dizer
também que são exatamente as pessoas mais perdidas que serão premiadas. Elas mesmas se premiam. Nós somos como seus
vícios, não somos os responsáveis pela sua desgraça, somos apenas um motivo;
Estamos sempre aqui, Você jamais se vicia em
algo sem antes o ter escolhido. Alguns vícios podem ser
destrutivos, mas não há por que culpar o vício ao invés de o consumidor. Você
não deveria dizer “Não as drogas” e sim “Não aos consumidores estúpidos”.
Há buracos em tudo o que eu faço, em toda superficie da minha rodovia, tantos problemas de construção, quanto há de cuidados. Eu vasculho o interior da minha caixa de brinquedos, eu morro todos os dias depois de brincar com os que me
restam.
Era tudo parte do que faltava, algo sempre me faltava. Nunca estaria completamente feliz, enquanto tudo isto ainda existisse. O
grande mundo, do qual eu não conseguia me adaptar, apenas me mantendo como uma
incógnita sem nome e sem cara, e não sabendo que ainda faz aqui. Não posso vender minha alma para as outras pessoas. O certo seria
que eu fosse para qualquer lugar onde eles não soubessem que eu existo, por que
afinal eu nem sei bem se existo de verdade. Eu não tinha o suficiente de raiva e
tampouco tinha o suficiente de alguém para amar, eu não amava nem a mim mesmo,
eu não sabia o significado destas palavras. Mas conseguia ver com tanta clareza
que podia sentir as retinas arderem, eles se consumiam como um banquete, seus
circos nunca tinham um fim: sempre haveria alguém para os apreciarem ou
odiarem. Aquela pessoa caminhando apressada em busca de seus “sonhos”, o
difícil é manter-se acordado quando nada faz sentido. Sua vida inteira
parecendo um sonho ou um pesadelo para ser mais óbvio.
Mas nem tudo o que parece
é, nem o escuro do seu quarto. Quando fincamos adagas em corações enfermos, pela dor não morremos e não matamos ninguém da mesma dor. Apenas passamos o que sentimos. Viemos de lugares diferentes,
alguns de cidades diferentes.
E as nossas histórias,
embora andem por outros caminhos, elas são as mesmas.
O mundo não é justo com ninguém, a visão de justiça é apenas relativa.
E foi suficiente para
conhecê-los, não por terem aberto caminho para mim, algo que apenas
chama-se, convivência. É crucial.
Tendo o conhecimento,
você se sente na responsabilidade de usá-lo para algo, ou então ele acaba
apenas sendo uma propriedade inválida, um objeto esquecido.
Como quando me contavam
sobre Pandora.
Não entendo o que eles chamavam de vitória, o mundo ainda parecia sem gosto e sentido, o mundo ainda
parecia, o mundo nunca acabava, talvez o mundo só acabasse quando você acabasse
com si próprio, um ponto final.
- Não existe vitória, é
apenas uma ilusão, formar um objetivo e o alcançar, e então no fim disto, você
se diz vitorioso, cumpriu com o que prometeu a si mesmo, mais então não há nada
mais para alcançar, volta a se ver sem motivo, e então forma mais um, como uma
linha que nunca morre.
- Você acha que não foi
uma boa idéia? Ele disse.
- Boa idéia foi, o
problema é que não é um problema.
Não tem o que solucionar.