19 de jul. de 2013

As florestas do norte

Por Bekkator

  Sou solitário. No que sinto e vejo, sou imensamente solitário. Eu sinto o calor aquecer meu rosto e ele adentra. No maçante amanhecer que chega, não há nada para que eu possa transcender. Se tal sentido é real, eu o desconheço. Lúcido é o que encontra em cada novo brotar de sol uma solução para o dia. Os homens e mulheres que caminham este solo são os mesmos desde a eclosão. São átomos que retornam e jamais morrem. Já fui muitos e muitas. E com certeza carrego cada divagação e cada pergunta, todas as confusões, as dores e todos os desejos. Por tal complexidade perco-me em muitas noções banais que parecem alheias a todos os que rastejam suas patas por esta terra. Vejo-os correr de sua natureza, correr para tão longe no esquecimento. Não os reconheço em sua estática bolha moral. Aparte, faço melodia com outras notas. No instante que a mim parece, esqueceram-se por completo seu declínio, surgem fagulhas como se quisessem escapar discretamente deste âmbito. Os homens mais vis para mim são os que menos controlam tais impulsos, o que há com as senhoras? Será que no círculo terreno em que a natureza comanda indiscriminadamente, há uma espécie de aniquilação sem retorno? Por que permanecem tais pessoas no mais pleno silêncio de ação?
    A meus antecessores fiz um juramento. Por honra, nunca haverá em mim o desfalecimento de meus ideais. Não há um caráter predeterminado ao qual esteja de maneira eterna preso. Se não aquele que se modifica de acordo com as impressões. A evolução é uma escadaria íngreme.