23 de jul. de 2013

O único deus é a Morte

    Jogam-se palavras no ar, inicia-se um debate. Tuas ideias vem, as minhas vão. Discorda-se. Concorda-se. Eu posso mudar meu caminho pelas tuas palavras, tu podes mudar o teu pelas minhas. Podes morrer pelas minhas, ou viver em fartura. Porém nunca serás eu, e consequentemente nunca eu serei a ti. A maior parte dos transeuntes procuram uma conexão. Se o interesse é falho, há uma completa ausência de sentido em relação aos outros, não há nada para mostrá-los, nenhum iphone ou um artista novo, não há uma redecoração de casa, um sapato bonito, não há um novo estilo de cabelo, uma pessoa acompanhando uma foto. Minha espécie é fortemente interligada por laços de impressão. Tudo depende do que irão pensar destas pessoas, tudo bem se fores racista em 1940. Pois o estilo conduz e o governo permite.



Há muito perdi a fé na humanidade, fé que possivelmente nunca tive. Esta terra não é feita de humanos bons e exceções malignas a parte. E sim, de protótipos adequados e sodomizados ao que melhor lhes convém e onde podem estar confortáveis. Os homens desta terra são feras, feras sociais. A sociedade é a máquina e os trabalhadores dela são brinquedos de exploração. Onde o único desejo é o prazer da consciência, uma turbulenta viagem para longe, um orgasmo, uma super dose de dobra de realidade. E se estiverem alimentados e entretidos neste ritmo não cedo irão sentir qualquer ânsia ou desgosto. Depois de perder a tal fé, ou a mistificação do meio humano, torna-se uma incógnita.
Todas as atitudes e pensamentos tem um início, um primitivo significado. Às vezes, questiono meus questionamentos. Penso estar a preocupar-me demais com uma tecnologia comportamental que não deveria dar a mínima, e já começo a me despedir de muitas dúvidas. E então paro e fico a pensar se então não me tornaria um dos que aceitam tudo inertes. E na próxima parada percebo que sou o mais tolo deles. E estou nesta roda da mesma forma que todos, contribuindo para ela. Penso que em determinado momento da vida muitos, gente pra caralho, se perde neste individualismo. É cultural priorizar a si mesmo, amar a si mesmo, enriquecer a si mesmo. No cosmos da aparência em contato com a população, devemos comprar, para aparentar alguma coisa. E se teu poder, de alguma forma é abalado perante aos outros, achas humilhado. Há uma série de sensações que sentimos pelos outros e não por nós. Me contaram que este lugar é habitado e reabitado faz mais de milhões de anos. Os patéticos ícones históricos, as estrelas que brilhavam e se despedaçavam por trás dos refletores, os nossos artistas, músicos, até mesmo os bons, os nossos cristos, os conquistadores, os grandes vilões, personagens ilustres e ocidentalmente modernos. Todos eles são cuspes e porra jovem humana neste lugar insignificante no meio do negão estrelado. Esta vida é efêmera e terrivelmente curta. Há de se aproveitar com toda a energia sem se preocupar com o câncer de amanhã. Porque sim, todos vivemos a sombra deste único deus.