14 de jul. de 2013
O que restou do ódio
Neste corpo habita algo intenso e necrosante, uma das paixões do homem. As paixões não são necessariamente ilusões criadas acerca de outras pessoas, mas sim dóceis e corruptos vícios. Quem não sabe ao certo se expressar, escreve. Escrevem os fracos, os tolos, as mocinhas. Escrevem os doentes, os tristes, os que não sabem se virar de outra forma. Os fortes nunca escrevem, os fortes não se jogam de cabeça, corpo e alma. Os fortes são limiar, nunca subterrâneos. Quando falam suas bocas se mexem e sua arcada se encontra, as línguas estalam. Porém o sangue é frio. E tudo é vazio e no entanto não se necessita nada mais, porque estão satisfeitos em seu próprio e selado zero. Com certeza, sabem escrever, e falar, dançar e entreter se for preciso. Neste mármore queimam os bons e os maus sem distinção, quem ganha corta a cabeça do outro e enfia uma estaca nela, este a expõe como exemplo na sala de estar. Nós somos os ninguém, que querem ser alguém. Em uma corrida incansável pela busca de prazer a todo instante. Há dois polos que dividem as paixões humanas, o prazer e a dor. Também vulgarmente chamados de felicidade ou tristeza/insucesso. Ascensão e queda. E estamos sempre procurando por um e nunca pelo outro. Exceto por alguns raros momentos, quando um pode levar ao seu contrário. Tenho sede. Sede que nunca pode ser saciada. Sede que aflige e atormenta, enfastia.