11 de jul. de 2013

Overdose

 
Por Bekkator



Os pensamentos são artifícios da mente, o que então a compõe. O cérebro é um amontoado de tripas inválidas sem suas sinapses incansáveis. A mente é um buraco negro, mas nada se perde. É certo que é uma máquina seletiva e descarta de nossa realidade fatos sem importância. Contudo, eles permanecem lá em algum corredor. Somos matéria insignificante sem nossos impulsos nervosos e apenas nossas ideias não são capazes de mudanças significativas na realidade.
  Jamais nos conectamos.
   Este ideal corpóreo e cerebral nunca acontece. A carne é nula.
    É possível ouvir mais de mil vozes desconexas, um turbilhão de novas hipóteses. E mesmo assim, não é difícil encontrar apenas uma, exige esforço e concentração. Sempre estou coletando, absorvendo, digerindo  e isto não me transforma naquele que se importa demais. O que me deixa confuso é que penso estar alheio da verdade diária do mundo. Até então de maneira egoísta, pensava que todos se comportavam da mesma maneira que eu, mas sei que não é assim. Talvez esta seja uma das formas que encontrei para não estranhar. Não me sentir um estranho. Sei que todos eles são criaturas complexas e potencialmente iguais umas às outras em suas divagações. O que circunda meu cérebro no momento tem relação com a superficialidade da vida, e sua notória insignificância. Não é equivalente a dizer que estou sentindo vazio existencial. Isto é um dos vários acessórios do cotidiano atual. Até poucos séculos atrás não existia a ideia de indivíduo. Guerras aconteciam frequentemente, e a honra de um homem era medida pelo fato de lutar até conseguir a vitória de seu povo ou morrer lutando por ela. Os milhares que morreram não são reconhecidos hoje, os líderes e tiranos são lembrados. Exatamente pela ausência deste modelo de pensamento, eles morriam por ideiais. A morte não deveria ser um acontecimento absurdo. Somos guiados por três instintos predominantes, estes são: a morte, a reprodução e a sobrevivência. Parece assunto por demais enferrujado, mas sempre vem à tona. Os humanos de hoje vivem a pensar em sua própria morte, e desta forma tem um impulso de fazer muitas coisas antes de esta se consumar. Encontram importâncias onde não existe nada, pois a diferença que uma, duas, ou três mortes fariam é banal. Comparando em escalas biológicas, quanto mais seres humanos morrerem melhor seria a vida neste planeta. Bobagem. Nós nascemos aqui tanto quanto os malditos porcos, os cachorros, os gatos, os alfaces e as bactérias. A guerra de todos os dias. Nunca devemos desligar nossos sentidos desta dimensão. Não devemos pensar pacificamente porque nenhuma outra espécie o faz. As espécies são violentas e buscam tudo para si. Não somos especiais, ou alienígenas e nunca viraríamos espíritos ou migraríamos para o céu. Não somos especiais.